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A obra do artista mineiro Pedro David tem nas relações de variadas cepas e intensidades do homem com o próprio ambiente seu eixo poético. E é por meio do fotográfico que a produção dele se espraia, mesmo que por outros suportes, como o tridimensional e o meio impresso. Desde o pungente projeto Paisagem Submersa (ao lado de João Castilho e Pedro Motta, com registros feitos entre 2002 e 2007), captando a transformação imposta a municípios inundados por uma represa no rio Jequitinhonha, em Minas Gerais, David elege a paisagem como um dado fulcral em sua produção e se aproxima de procedimentos, investigações e abordagens muito distantes de um fotojornalista, por exemplo. "Pedro David esquiva-se das representações já estereotipadas e empreende uma viagem, minúsculas em suas dimensões geográficas, na qual transparece sua própria experiência e se reconhecem, entre outros, os ecos da literatura, da pintura, da escultura e da land art”, escreve o influente crítico Alejandro Castellote sobre a série O Jardim (2012). E, acrescentando, o sertão mítico do Cinema Novo torna-se foco das reinvenções fragmentadas propostas pelo olhar do artista em séries como Homem Pedra (2011), assim como ele renova a tradição do artista-viajante em um projeto como Rota Raiz, cujos registros foram feitos entre 2002 e 2012.