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EXPOSIÇÃO PASSADA
CAETANO DIAS
DE 17 DE OUTUBRO A 19 DE NOVEMBRO
CÉU DE CHUMBO >>> CAETANO DIAS
Com abertura marcada para dia 17 de outubro, a galeria Blau Projects apresenta a exposição Céu de chumbo, do artista baiano Caetano Dias. Com 12 obras inéditas desenvolvidas especialmente para a mostra, o artista apresenta sua mais recente produção, com vídeo-instalações, fotografias e instalações com instrumentos de corda.

Um dos artistas mais consistentes de sua geração, já tendo exposto em diversos lugares do mundo, o baiano Caetano Dias apresenta sua produção recente inspirada no sertão e principalmente nas suas incursões em Canudos, no interior da Bahia, onde ocorreu um dos mais sangrentos episódios da história brasileira. Entre os anos de 1896 e 1897, sob a figura épica de Antonio Conselheiro, a chamada Guerra de Canudos protagonizou um massacre que deixou milhares de sertanejos mortos.

Em Adeus terra, Caetano apresenta um díptico feito a partir de um registro de performance. ‘Na verdade, a performance teve um público só, que foi a câmera fotográfica’, conta o artista. O momento ritualístico aconteceu no Morro da Favela, um local onde aconteceram muitas batalhas no Parque Estadual de Canudos. ‘Eu limpei o chão com uma peixeira, derramei 10 quilos de urucum na terra e fiquei ali, deitado durante 20 minutos sob o sol’, relembra Caetano. ‘Essa obra fala das guerras, das mortes, das perdas e todas essas questões políticas que permeiam nossa vida’, define.

A frase atribuída a Antonio Conselheiro, ‘o sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão’, é inspiração para o trabalho Entre terras e águas, fotografia do artista. ‘Fui ao Porto da Barra, local onde a Bahia foi fundada, e joguei a terra colhida em Canudos. E fiz o mesmo em Canudos. Levei a água da Bahia e joguei em sua terra’, conta. ‘No fundo, Antonio Conselheiro estava falando do que estamos vivendo atualmente, sobre as questões climáticas, a escassez da água que está mais contemporânea do que nunca’, afirma Caetano.

Céu de Chumbo, obra que dá nome a exposição, o artista fotografou, em 360 graus, o ponto de vista de uma casa que foi construída para abrigar os engenheiros responsáveis pela Barragem de Cocorobó. ‘Essa barragem cobriu a antiga cidade de Canudos’, conta Caetano. Atualmente, a casa serve de hospedagem para quem visita a região, que já foi conhecida como Belomonte.

Em Cruzeiro do sul, o artista faz um díptico, no Vale da Morte, onde há milhares de pessoas enterradas resultantes das batalhas na região. Nessas fotografias, Caetano propõe uma nova leitura da violência, com o desenho da constelação de Cruzeiro do Sul (símbolo da bandeira do Brasil) perfuradas com chumbo na fotografia da paisagem. ‘A violência do passado constantemente se atualiza’, preconiza o artista.

O artista também construiu instrumentos musicais de cordas para montar no espaço expositivo. Trata-se de três obras: Mulatos I, Mulatos II e Mulatos III. ‘O suporte desses instrumentos é a parede’, conta. Numa dessas obras, o artista se apropria do mapa militar da invasão de Canudos publicada no livro Os sertões, de Euclides da Cunha, unindo uma corda do instrumento a uma bala da época da guerra, conseguida por ele. ‘Este é um instrumento de uma corda só, o que não deixa de ser uma metáfora para a guerra’, conta o artista.

Ainda constam na exposição as obras Sob o céu de 1897, Retrato de família, Tempo de chumbo, todas de 2015, além do filme Rabeca, já lançado em formato do cinema, mas atualizado com cenas novas feitas em Canudos e exibido pela primeira vez como vídeo-instalação em três telas na galeria.


Canudos atual

‘Paralelamente a investigação artística e pessoal, acho que a história de Canudos é uma historia que pertence a todo brasileiro. É uma das grandes cicatrizes do Brasil. É o massacre do Estado contra o povo que se atualiza o tempo todo. Nas manifestações de 2013. Nas chacinas em São Paulo’, arrebata o artista.

Caetano tem uma obra poética que transcende o tempo e o espaço, trazendo sua ancestralidade à tona juntamente com a história do Brasil. A beleza de suas obras vem também da sua crueza e do conflito. Nessa mostra-denúncia, o artista revisita a trajetória do país atualizando questões permanentes na cultura e na sociedade brasileira.

Caetano Dias

O artista, nascido em Feira de Santana, Bahia, em 1959, trabalha com todas as técnicas artísticas, como vídeo, pintura, obras tridimensionais, instalação multimídia e fotografia digital. Já expôs no Brasil, Venezuela, Equador, Espanha, Cuba, Estados Unidos e Canadá. Participou das bienais do Mercosul, Valência, Buenos Aires e Paris. Tem obras nas coleções Assis Chateaubriand, MAM BA, MAM-RJ e Museu Berardo, em Lisboa. Foi premiado na 16º Festival de Arte Contemporânea Videobrasil, com residência em Le Fresnoy, na França. Participou da 29ª edição do Panorama da Arte Brasileira, do MAM-SP. Sua última exposição individual na capital paulista, foi em 2010.

Serviço

Céu de Chumbo de Caetano Dias

De 17 de outubro a 19 de novembro

Horários de funcionamento: terça a sábado, das 11h às 19h

Entrada gratuita
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